Entenda a ligação do garantidor que compraria a SAF do Santa Cruz com a investigação do Banco Master
Na última quarta-feira, o presidente do Santa Cruz, Bruno Rodrigues, revelou a saída da Cobra Coral Participações das negociações para a compra de 90% das ações da SAF do clube.
Grupo que tem como acionistas os investidores mineiros Alexandre Pires de Andrade Kubitschek, Marcus Amaro Oliveira Bitar Silva e Iran Almeida Barbosa. E que possui também contratos com empresas ligadas a Fernando Alves Vieira, empresário citado em investigações da Polícia Federal referentes a fraudes no Banco Master. De acordo com documentos obtidos pelo ge, as empresas Eagle & Shark e Health Enterprises, ambas de Fernando Alves Vieira, atuariam como garantidora de R$ 50 milhões da operação. Em contrapartida, teriam direito à aquisição de uma participação de até 20% das ações da Cobra Coral na SAF do Santa. Fernando Alves Vieira aparece nas investigações do Banco Master por possuir vínculos com familiares de sócios do banco e por ser procurador de Valdenice Pantaleão. Segundo as investigações, Valdenice seria um presidente "laranja" da Clínica Mais Médicos, que captou milhões em notas comerciais sem garantias e com capital social zero. (Saiba mais aqui).
Vale destacar que o único aporte feito pela Cobra Coral Participações no Santa Cruz foi o financiamento DIP de R$ 7.745.385,33 usado como créditos para fechar acordos da Recuperação Judicial do clube. A devolução desse dinheiro é uma das condições para o distrato entre as duas partes.
Em entrevista ao ge, o presidente tricolor, Bruno Rodrigues, informou que esse pagamento será feito pelo grupo de investidores interessado em comprar a SAF tricolor, após a saída da Cobra Coral Participações. A outra condição para a entrada de novos investidores é a quitação de débitos em aberto do clube, como salários atrasados.
Bruno Rodrigues preferiu não entrar nos méritos que levaram a Cobra Coral Investimentos a desistir da operação para a compra das ações da SAF do clube. Mas revelou que a decisão também partiu de Fernando Alves Vieira, um dos garantidores do negócio.
- Primeiro, até por princípio, eu sempre prezo pela presunção de inocência. A gente não pode acusar uma pessoa porque saiu uma informação na mídia. Tem a Justiça, os órgãos de controle pra averiguar. Evidente que se tiver culpa no cartório tem que pagar. Mas eu não posso me antecipar dizendo que tem alguma culpa do Fernando nesse processo - iniciou Bruno Rodrigues.
Agora, os próprios investidores, o próprio Fernando, foram quem declinaram da operação. Ou seja, eles querem sair. O motivo eu não posso dizer porque não tenho informações. Lembrando que eles próprios marcaram uma reunião com um novo grupo pra assumir e eu estive presente. Mas não posso dizer se teve a ver ou não (a investigação do Banco Master) com a saída deles, mas o fato é que eles declinaram - completou.
O presidente coral, por sinal, se encontra em São Paulo para tratar da minuta do distrato com a Cobra Coral Participações. Segundo o dirigente, a ideia é de uma rescisão amigável. No entanto, uma disputa judicial não está descartada. O ge procurou por diversas vezes os investidores da Cobra Coral Participações para tratar dessa possível saída da SAF, mas ainda não obteve resposta.
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